A Casa de Antônio Conselheiro recebe nos dias 13 e 14 de dezembro a programação do 1º Festival de Cinema de Quixeramobim e duas produções, fruto de projetos de formação em audiovisual promovidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Cultural e Natural de Quixeramobim (ONG. IPHANAQ), ao longo de seus 20 anos de história, “Laroyê Exú” (2016) e “A Bola, o Trem e o Rádio” (2015), estão entre os selecionados.
O IPHANAQ ajudou a formar diversos jovens a partir de formações voltadas ao audiovisual em Quixeramobim nos últimos anos, como o Ponto de Cultura Patrimônio Vivo, projeto Doc Sertão e Patrimônio na Tela, e que hoje geram inúmeros frutos na cena criativa do audiovisual no Sertão Central.
Acreditamos no quanto o cinema pode contribuir enquanto arte e ação pedagógica para uma melhor compreensão, estudo e valorização da história do povo sertanejo, seus saberes, trabalhos e amores que se entrelaçam em seu cotidiano e devem ser registrados.
“Laroiê Exu”, de Sara Sousa, será exibido na sexta-feira, 13, a partir de 18h. Já “A Bola, o Trem e o Rádio”, de Elistênio Alves, no sábado, 14, também 18h. A programação completa você confere na página da Casa de Antônio Conselheiro no Instagram.
SOBRE O FILME ‘LAROYÊ EXÚ’ (5min)
Quixeramobim, Vila Betânia nas encruzas da cidade a Tenda da Cabocla Mariana se coloca como lugar de Axè e resistência, em torno de uma cultura e ancestralidade preta o Pai de Santo Zezinho cria e recria as narrativas em torno de Exù, narrando a alegria, o sagrado e criando um espaço de beleza e caridade, Laroiê se concentra no dia primeiro de novembro, na festa de Maria Padilha, onde as encruzas levam a Exù que também é mulher, é força da natureza.
SOBRE O FILME ‘A BOLA, O TREM E O RÁDIO’ (18min)
O documentário busca registrar processos da memória do radialista Viana Filho, que vive inserido entre sua infância como telegrafista de trem, seu amor pelo futebol e pelo rádio. Esses três pilares envolvem o personagem e marcam a figura central do trabalho.O interesse sobre a história de Viana surgiu depois de uma apresentação do radialista na edição de número 16 do projeto Papo Cultural, da ONG IPHANAQ, em Quixeramobim. Aos 16 anos Viana trabalhava como telegrafista de trem durante a noite enquanto o pai dormia, indo às oito da manhã para treinar futebol. Atuou pelo time do Maracanaú Futebol Clube.
Ele escolheu o esporte como sua paixão. Nasceu em Quixadá, na lendária fazenda “Não Me Deixe”, que é mundialmente conhecida por ter sido o lugar onde nasceu a escritora Raquel de Queiroz também.
A história de Viana se liga com Quixeramobim quando ele chegou a Uruquê, onde passaria apenas três meses, devido ao trabalho do pai no trem. Nesse período conheceu o prefeito da cidade à época, Alfredo Machado, que ofertou um emprego a Viana. Ele teria que todos os dias abrir a TV pública. Naquela época a TV era em uma praça e tinha sempre que alguém tomar conta do equipamento, e ele ficou responsável por isso.
Assim como a paixão pelo futebol, Viana conheceu aquele que também seria um de seus grandes amores, o rádio. Foi assim que, em 1968, Viana começou a trabalhar no rádio em Quixeramobim. Ajudou a fundar juntamente com Fenelon Augusto Câmara, aquele que seria o primeira trabalho radiofônico do Sertão Central: a radiadora Voz de Cristal, que antecedeu à Difusora Cristal. Pelo rádio Viana encontrou o prazer de narrar aos inúmeros ouvintes o que via dentro das quatro linhas dos campos de futebol.
Os cenários para as gravações de “A Bola, o Trem e o Rádio” foram os campos de várzea na localidade de Poço da Pedra, no campo do Cláudio, no Belo Monte, no campo do Balaio, e nos campos do bairro da Maravilha. Seis meses foram necessários para gravação, edição, montagem e finalização do trabalho.

Deixe um comentário.